3º Congresso da ABRAPAVAA reúne líderes da aviação e especialistas para discutir gestão de crises e segurança no Brasil

Sandra Assali, Presidente da ABRAPAVAA - Crédito Dalton Assis - AC News

SÃO PAULO (SP) – Realizado entre os dias 18 e 19 de março, no Hotel Meliá Ibirapuera, o 3º Congresso da ABRAPAVAA consolidou-se como um dos principais fóruns nacionais voltados à discussão sobre gerenciamento de crises, assistência a vítimas e familiares em eventos traumáticos, especialmente no contexto da aviação.

Promovido pela ABRAPAVAA, o encontro reuniu profissionais do setor aéreo, especialistas em segurança, autoridades e familiares impactados por tragédias, em uma programação intensa voltada à troca de experiências e ao aprimoramento de práticas.

Idealizado e coordenado por Sandra Assali, que lidera a entidade desde 1997, o congresso reforça, a cada edição, seu papel como espaço estratégico para debate e evolução de protocolos que envolvem tanto a prevenção de acidentes quanto o suporte às vítimas.

Avanços na aviação e desafios persistentes

Durante entrevista à reportagem da AC News, Sandra destacou a evolução significativa da segurança na aviação comercial brasileira nas últimas décadas, impulsionada por tecnologia, treinamento e aprimoramento de processos.

Segundo ela, “a evolução é absurda, tivemos realmente um avanço muito grande. Hoje, quando se fala em aviação comercial, há o que se dizer, tanto que praticamente não temos mais acidentes recorrentes como no passado”.

Apesar dos avanços, a presidente da ABRAPAVAA alerta que o risco nunca é completamente eliminado. “O acidente pode acontecer a qualquer hora, pois existe sempre o fator humano. Pois o piloto pode não estar bem naquele dia, pode enfrentar questões pessoais, e isso influencia diretamente na tomada de decisão”, afirmou.

A fala reforça a importância de práticas como o CRM (Crew Resource Management) e o fortalecimento de uma cultura organizacional que valorize o diálogo e o bem-estar dos profissionais.

Aviação comercial como referência

Um dos pontos centrais da entrevista, foi com relação ao contraste entre a aviação comercial e a aviação geral, que inclui táxi aéreo, aviação agrícola e outras operações não regulares.

De acordo com Sandra Assali, a aviação comercial deve servir como modelo.

 “Ela é a grande referência, a escola, o caminho para uma aviação geral mais segura”, disse.

Os dados recentes preocupam: apenas nos dois primeiros meses de 2026, o Brasil já registrou 38 acidentes na aviação geral, número considerado elevado e que acende um alerta para o setor.

“Quando acompanhamos os casos e as investigações, muitas vezes percebemos que não era para ter acontecido, que poderia ter sido evitado. Isso mostra que ainda existem lacunas de segurança que precisam ser enfrentadas”, ressaltou.

Saúde mental entra no centro do debate

Outro eixo relevante apontado por Sandra, sobre o congresso, está na relação entre segurança operacional e saúde mental dos profissionais da aviação. Esta discussão traz à tona a pressão enfrentada por pilotos, especialmente na aviação geral, onde fatores comerciais e operacionais podem influenciar decisões críticas.

Sandra destacou a importância de criar ambientes onde os profissionais se sintam seguros para relatar limitações. “O piloto precisa ter liberdade para dizer: ‘hoje eu não estou bem para voar’. Quando isso é respeitado, você está evitando um acidente”, afirmou.

A presidente também chamou atenção para situações em que há pressão por cumprimento de agendas, mesmo diante de condições adversas, o que pode comprometer a segurança.

Um espaço único no país

Com mais de 24 painéis realizados simultaneamente em três salas, o congresso reuniu nomes relevantes do setor aéreo, incluindo executivos de companhias como Jerome Cadier (LATAM), Celso Ferrer (GOL), John Rodgerson (AZUL) que contribuíram com diferentes perspectivas e enriqueceram os debates.

Para a organização, o evento cumpre um papel único no país. “Não existe outro encontro que trate de forma tão específica dessas questões. É por isso que ele se tornou uma referência”, concluiu Sandra Assali.

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