11 de Setembro: 25 anos depois, Nova York ainda convive com as marcas dos ataques terroristas ao World Trade Center

25 anos do ataque ao World Trade Center, em Nova York, no dia 11 de setembro de 2001 (Crédito Reprodução YouTube)

Vinte e cinco anos depois dos ataques terroristas que destruíram as Torres Gêmeas do World Trade Center, a cidade de Nova York, realizou nesta sexta-feira, (11) uma séries de  homenagens às vítimas de uma tragédia que matou 2.977 pessoas nos Estados Unidos e alterou profundamente a vida política, social e econômica do país.

No local onde ficavam os edifícios, os familiares participaram da tradicional leitura dos nomes das vítimas, acompanhada por momentos de silêncio que marcaram a sequência dos ataques daquele 11 de setembro de 2001.

A cerimônia deste ano teve uma mudança significativa. Pela primeira vez, um momento de silêncio foi dedicado também às pessoas que morreram nos anos seguintes em decorrência de doenças relacionadas à exposição à poeira e a outros contaminantes presentes no local dos ataques. A homenagem reconhece uma parcela das vítimas que não aparece nas estatísticas daquele dia, mas que passou a fazer parte da história do 11 de Setembro nas décadas seguintes.

O World Trade Center Health Program, administrado pelo governo federal americano, acompanha atualmente quase 150 mil socorristas e sobreviventes afetados pelos ataques em Nova York, no Pentágono e na Pensilvânia. Mais de 9 mil integrantes do programa morreram desde sua criação, segundo dados citados pela Reuters.

Autoridades americanas participam das homenagens às vítimas do atentado de 11 de Setembro em Nova York, nos Estados Unidos (Crédito Hiroko MasuikePool via REUTERS)

Uma manhã que mudou Nova York

Na manhã daquela terça-feira, 11 de setembro, 19 integrantes da Al Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais nos Estados Unidos. Dois foram lançados contra as Torres Gêmeas, em Nova York. Um terceiro atingiu o Pentágono, em Arlington, na Virgínia. O quarto, o voo 93 da United Airlines, caiu em uma área rural da Pensilvânia depois que passageiros e tripulantes tentaram retomar o controle da aeronave.

O primeiro avião atingiu a Torre Norte do World Trade Center às 8h46. Às 9h03, o segundo avião atingiu a Torre Sul. As duas estruturas, que tinham 110 andares cada, desabaram naquela manhã, levando consigo parte importante da paisagem de Manhattan.

No World Trade Center, bombeiros, policiais, paramédicos e outros profissionais de emergência correram para o local enquanto milhares de pessoas tentavam deixar os edifícios e a região de Lower Manhattan. O Departamento de Bombeiros de Nova York (FDNY) perdeu 343 integrantes nos ataques.

9/11 Memorial

A região de Lower Manhattan também mudou radicalmente desde a destruição das torres. O espaço que durante décadas foi ocupado pelo complexo original do World Trade Center tornou-se um dos principais pontos de memória relacionados ao terrorismo. No local das antigas torres foram construídas as duas piscinas do 9/11 Memorial, instaladas nas áreas das fundações das Torres Norte e Sul. Ao redor delas estão os nomes das pessoas mortas nos ataques de 2001 e no atentado ao World Trade Center de 1993.

Memorial 9 11 (Crédito – Todd Heisler The New York Times )

O 9/11 Memorial & Museum passou a reunir documentos, fotografias, objetos e relatos pessoais relacionados aos ataques e às operações de resgate. A instituição também assumiu uma função cada vez mais ligada à transmissão da história para uma geração que não viveu os acontecimentos. Segundo o Memorial, cerca de 100 milhões de americanos são jovens demais para se lembrar do 11 de Setembro. A preocupação com a transmissão dessa memória ganhou importância justamente no momento em que a distância temporal começa a separar os ataques da experiência direta de grande parte da população.

O complexo atual do World Trade Center também incorporou novos edifícios, espaços comerciais, áreas públicas e o One World Trade Center, erguido próximo ao local das antigas torres. A paisagem de Lower Manhattan foi reconstruída, mas preservou no coração do novo conjunto as marcas físicas da tragédia.

Crédito Dave Sanders – The New York Times

Uma cidade que passou a contar sua própria história

A relação de Nova York com o 11 de Setembro não se limita às cerimônias oficiais. Bombeiros, policiais, moradores, comerciantes e trabalhadores que estavam em Lower Manhattan naquele dia passaram a carregar relatos particulares sobre os acontecimentos.

Um exemplo é a Ten House, quartel do FDNY localizado próximo ao World Trade Center e um dos primeiros postos a responder aos ataques. Vinte e cinco anos depois, o local continua em funcionamento e também se tornou um ponto de referência para quem procura conhecer histórias dos bombeiros que participaram do resgate.

A herança política e social

Os efeitos do 11 de Setembro ultrapassaram Nova York. Os ataques deram início a uma nova fase da política externa e de segurança dos Estados Unidos, que incluiu a invasão do Afeganistão e, posteriormente, a guerra do Iraque. Também provocaram mudanças nos mecanismos de segurança aeroportuária, no combate ao terrorismo e na atuação das agências de inteligência.

Reprodução Associated Press 

A sociedade americana também passou por mudanças profundas. Vinte e cinco anos depois, pesquisas mostram que a percepção das ameaças à segurança nacional mudou. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada neste mês apontou que 33% dos entrevistados consideram o terrorismo doméstico a maior ameaça à segurança dos americanos, enquanto 20% apontaram o terrorismo estrangeiro.

O legado também envolve questões que permanecem controversas, como as políticas adotadas pelo governo americano depois dos ataques, os conflitos iniciados no exterior e o impacto provocado pelo aumento da discriminação contra muçulmanos e outras comunidades identificadas como árabes ou associadas ao Oriente Médio.

* Com informações da CNN International, CNN Brasil, 9/11 Memorial.Org, New York Government e Reuters

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