Vinte e cinco anos depois dos ataques terroristas que destruíram as Torres Gêmeas do World Trade Center, a cidade de Nova York, realizou nesta sexta-feira, (11) uma séries de homenagens às vítimas de uma tragédia que matou 2.977 pessoas nos Estados Unidos e alterou profundamente a vida política, social e econômica do país.
No local onde ficavam os edifícios, os familiares participaram da tradicional leitura dos nomes das vítimas, acompanhada por momentos de silêncio que marcaram a sequência dos ataques daquele 11 de setembro de 2001.
A cerimônia deste ano teve uma mudança significativa. Pela primeira vez, um momento de silêncio foi dedicado também às pessoas que morreram nos anos seguintes em decorrência de doenças relacionadas à exposição à poeira e a outros contaminantes presentes no local dos ataques. A homenagem reconhece uma parcela das vítimas que não aparece nas estatísticas daquele dia, mas que passou a fazer parte da história do 11 de Setembro nas décadas seguintes.
O World Trade Center Health Program, administrado pelo governo federal americano, acompanha atualmente quase 150 mil socorristas e sobreviventes afetados pelos ataques em Nova York, no Pentágono e na Pensilvânia. Mais de 9 mil integrantes do programa morreram desde sua criação, segundo dados citados pela Reuters.

Uma manhã que mudou Nova York
Na manhã daquela terça-feira, 11 de setembro, 19 integrantes da Al Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais nos Estados Unidos. Dois foram lançados contra as Torres Gêmeas, em Nova York. Um terceiro atingiu o Pentágono, em Arlington, na Virgínia. O quarto, o voo 93 da United Airlines, caiu em uma área rural da Pensilvânia depois que passageiros e tripulantes tentaram retomar o controle da aeronave.
O primeiro avião atingiu a Torre Norte do World Trade Center às 8h46. Às 9h03, o segundo avião atingiu a Torre Sul. As duas estruturas, que tinham 110 andares cada, desabaram naquela manhã, levando consigo parte importante da paisagem de Manhattan.
No World Trade Center, bombeiros, policiais, paramédicos e outros profissionais de emergência correram para o local enquanto milhares de pessoas tentavam deixar os edifícios e a região de Lower Manhattan. O Departamento de Bombeiros de Nova York (FDNY) perdeu 343 integrantes nos ataques.
9/11 Memorial
A região de Lower Manhattan também mudou radicalmente desde a destruição das torres. O espaço que durante décadas foi ocupado pelo complexo original do World Trade Center tornou-se um dos principais pontos de memória relacionados ao terrorismo. No local das antigas torres foram construídas as duas piscinas do 9/11 Memorial, instaladas nas áreas das fundações das Torres Norte e Sul. Ao redor delas estão os nomes das pessoas mortas nos ataques de 2001 e no atentado ao World Trade Center de 1993.

O 9/11 Memorial & Museum passou a reunir documentos, fotografias, objetos e relatos pessoais relacionados aos ataques e às operações de resgate. A instituição também assumiu uma função cada vez mais ligada à transmissão da história para uma geração que não viveu os acontecimentos. Segundo o Memorial, cerca de 100 milhões de americanos são jovens demais para se lembrar do 11 de Setembro. A preocupação com a transmissão dessa memória ganhou importância justamente no momento em que a distância temporal começa a separar os ataques da experiência direta de grande parte da população.
O complexo atual do World Trade Center também incorporou novos edifícios, espaços comerciais, áreas públicas e o One World Trade Center, erguido próximo ao local das antigas torres. A paisagem de Lower Manhattan foi reconstruída, mas preservou no coração do novo conjunto as marcas físicas da tragédia.

Uma cidade que passou a contar sua própria história
A relação de Nova York com o 11 de Setembro não se limita às cerimônias oficiais. Bombeiros, policiais, moradores, comerciantes e trabalhadores que estavam em Lower Manhattan naquele dia passaram a carregar relatos particulares sobre os acontecimentos.
Um exemplo é a Ten House, quartel do FDNY localizado próximo ao World Trade Center e um dos primeiros postos a responder aos ataques. Vinte e cinco anos depois, o local continua em funcionamento e também se tornou um ponto de referência para quem procura conhecer histórias dos bombeiros que participaram do resgate.
A herança política e social
Os efeitos do 11 de Setembro ultrapassaram Nova York. Os ataques deram início a uma nova fase da política externa e de segurança dos Estados Unidos, que incluiu a invasão do Afeganistão e, posteriormente, a guerra do Iraque. Também provocaram mudanças nos mecanismos de segurança aeroportuária, no combate ao terrorismo e na atuação das agências de inteligência.

A sociedade americana também passou por mudanças profundas. Vinte e cinco anos depois, pesquisas mostram que a percepção das ameaças à segurança nacional mudou. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada neste mês apontou que 33% dos entrevistados consideram o terrorismo doméstico a maior ameaça à segurança dos americanos, enquanto 20% apontaram o terrorismo estrangeiro.
O legado também envolve questões que permanecem controversas, como as políticas adotadas pelo governo americano depois dos ataques, os conflitos iniciados no exterior e o impacto provocado pelo aumento da discriminação contra muçulmanos e outras comunidades identificadas como árabes ou associadas ao Oriente Médio.
* Com informações da CNN International, CNN Brasil, 9/11 Memorial.Org, New York Government e Reuters






