Convenção BRAZTOA encerra agenda no Alentejo com foco em negócios e inovação 

Braztoa e autoridades portuguesas - Crédito Divulgação Braztoa

A relação entre conhecimento de destino e transformação dos negócios esteve no centro dos dois últimos dias da Convenção BRAZTOA 2026, encerrada nesta quarta-feira (22) no Alentejo, em Portugal. Ao longo da programação, mais de 70 associados e integrantes da equipe da entidade tiveram contato com fornecedores e produtos turísticos da região e participaram de discussões sobre as mudanças que já influenciam a gestão e a competitividade das operadoras.

A agenda colocou lado a lado dois movimentos que afetam diretamente a comercialização de destinos: conhecer na prática aquilo que pode ser transformado em produto para o mercado brasileiro e discutir como as empresas precisam se preparar para um consumidor e um ambiente de negócios em transformação. Em Beja, o contato com empresários locais aproximou as operadoras de empreendimentos e profissionais da região. A programação também incluiu uma apresentação sobre Évora 2027, quando a cidade será Capital Europeia da Cultura, permitindo aos participantes conhecer possibilidades que poderão ser incorporadas à oferta de viagens para Portugal.

A aproximação comercial foi acompanhada por experiências que ajudam a compreender o produto turístico além da divulgação convencional. Monsaraz, Beja e Vila de Frades fizeram parte do roteiro, com atividades relacionadas ao patrimônio, gastronomia, vinhos e cultura.

Experiência de destino como ferramenta para novos produtos

Em Vila de Frades, os participantes conheceram a produção tradicional do vinho de talha e participaram de um almoço típico acompanhado pelo cante alentejano, manifestação reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. A proposta permitiu observar como diferentes elementos podem ser combinados em uma experiência turística: a produção vitivinícola, a gastronomia, a hospedagem e as manifestações culturais passaram a ser vistos também sob a perspectiva de sua utilização em roteiros comercializados no Brasil.

Esse contato direto é particularmente relevante para as operadoras porque permite avaliar os serviços antes de transformá-los em produto, identificar o perfil de viajante mais adequado e estabelecer relações com fornecedores locais. A agenda empresarial também contou com autoridades portuguesas. Entre elas estavam o Presidente da Câmara Municipal de Beja, Nuno Palma Ferro; o Presidente do Turismo do Alentejo, José Manuel Santos; o Presidente do Turismo de Portugal, Carlos Abade; e o Secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado.

Durante a programação, Machado destacou a proximidade entre os dois países e relacionou a conectividade aérea ao fortalecimento do fluxo turístico entre Brasil e Portugal.

“A alma de um povo é sua língua e isso nos aproxima muito. Nós temos que reforçar essa relação com o Brasil e a conectividade é um diferencial. Com o novo voo da TAP a São Luís (Maranhão), chegamos a 16 cidades conectadas e mais de 120 voos semanais”, destacou o executivo.

Debate deixa o destino e volta para dentro das empresas

Depois de dois dias de contato com o produto turístico alentejano, a Convenção voltou a atenção para um desafio diferente: o futuro das próprias operadoras. O encontro técnico “O que influencia o futuro das operadoras daqui para frente? Conteúdos, reflexões e interações para repensar a competitividade do setor”, conduzido por Benicio Oliveira e Flavia Bosi, discutiu como as mudanças no comportamento dos consumidores estão alterando a maneira de competir no mercado.

A inteligência artificial também entrou na discussão como uma das ferramentas capazes de influenciar decisões empresariais. O debate também abordou o papel da liderança e as competências que passam a ser necessárias diante das transformações do setor visando relacioná-las à gestão cotidiana das empresas e estimular os participantes a avaliar práticas, prioridades e estratégias diante de um mercado em mudança.

“A Convenção é um momento muito especial para estarmos juntos, fortalecer vínculos e ampliar nosso olhar sobre o turismo. Conhecer um destino de perto nos permite avaliar experiências, identificar possibilidades de comercialização, conversar com profissionais locais e trocar referências com entidades do setor, abrindo novas perspectivas para os negócios. Ao mesmo tempo, é fundamental olhar para dentro das nossas empresas, repensar práticas e refletir sobre as transformações que estão redefinindo o mercado. Nosso segundo encontro técnico trouxe justamente essa oportunidade: discutir o papel da liderança, as competências que precisamos desenvolver e como incorporar a inovação e a inteligência artificial às decisões. Encerramos nossa jornada no Alentejo com novos aprendizados, conexões fortalecidas e perspectivas que contribuem para preparar nossas operadoras para os desafios e as oportunidades do futuro”.

Marina Figueiredo, presidente executiva da BRAZTOA.

Programação contínua para parte dos associados

O encerramento da agenda conjunta no Alentejo não significou o fim das atividades para todos os participantes. Parte das operadoras seguiu para duas opções de pós-tour organizadas pela BRAZTOA. Os roteiros contemplam o Alto Alentejo e Centro de Portugal, além da Costa Alentejana e Algarve. A proposta é ampliar o conhecimento sobre outras regiões e manter o contato direto com destinos e fornecedores portugueses, mantendo a combinação entre conhecimento de produto, relacionamento comercial e discussão sobre os desafios que as operadoras terão de enfrentar para desenvolver novos negócios no turismo.

Deixe um comentário

Leia também: