Até onde você iria para garantir o sustento de sua família? A pergunta, que para muitos pode soar como um exercício hipotético de ética, torna-se o motor central de “A Única Saída”, o novo e visceral longa-metragem do mestre sul-coreano Park Chan-wook. Candidato ao Oscar 2026 e com estreia marcada nos cinemas brasileiros para o dia 22 de janeiro, o filme utiliza o suspense e a comédia ácida para dissecar uma ferida aberta na sociedade moderna: o valor de um indivíduo para o mercado de trabalho.
A trama nos apresenta a Man-su (interpretado por Lee Byung-hun), um homem de meia-idade cuja vida personifica o ideal de estabilidade. Com uma carreira de 25 anos na Solar Paper, uma fábrica de papel, Man-su desfruta de uma rotina harmoniosa ao lado de sua esposa, Miri (Son Ye-jin), seus dois filhos e seus cães.
Contudo, a vida tranquila e estável de Man-su, muda drasticamente quando ele é demitido inesperadamente. O que começa como uma busca confiante por recolocação ao mercado de trabalho em três meses ancorada em décadas de experiência, transforma-se em um pesadelo burocrático.
Após um ano de rejeições sistemáticas e a iminente perda de sua casa, o protagonista se vê reduzido a trabalhos informais e à humilhação constante em entrevistas onde sua senioridade é vista como um fardo, não como um trunfo.
Mas é no ápice do desespero que o roteiro dá sua guinada mais audaciosa. Tomado por uma lucidez insana, Man-su conclui que a única forma de vencer a concorrência esmagadora é, literalmente, eliminá-la fisicamente. O filme mergulha, então, em uma jornada de trapalhadas sangrentas e humor ácido, onde o protagonista passa a caçar outros candidatos que disputam a mesma vaga que ele.

O diretor Park Chan-wook, conhecido por clássicos como Oldboy e A Criada, utiliza essa premissa absurda para realizar um retrato social mordaz. O filme é um grito contra o etarismo implacável. Em uma era dominada pela Inteligência Artificial e pela busca incessante pelo “novo”, o filme questiona como a sociedade descarta profissionais experientes que cruzam a barreira dos 50 anos.
Expectativa de público e crítica
Embora “force a barra” propositalmente em sua violência satírica, “A Única Saída” nunca perde o contato com a realidade emocional de seu protagonista. O espectador é constantemente convidado a uma reflexão desconfortável: “O que eu faria no lugar dele?”.
Com atuações brilhantes de Lee Byung-hun e Son Ye-jin, a obra equilibra o entretenimento de um thriller de alta tensão com a profundidade de um ensaio sociológico.
É um filme que prende do início ao fim, gerando uma expectativa sufocante sobre o destino de Man-su. Ele alcançará a redenção profissional ou sucumbirá ao próprio caos? A resposta é tão surpreendente quanto a direção impecável de Park Chan-wook.
Tralier Oficial – A Única Saída






