SÃO PAULO (SP) – O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que o Brasil precisa construir uma agenda estratégica de longo prazo e reduzir a polarização política para enfrentar os desafios do próximo ciclo eleitoral. A declaração foi feita durante o Almoço Empresarial do LIDE, realizado na última segunda-feira (9), no hotel W São Paulo, que marcou a abertura da série“Cenários do Brasil 2026”.
O projeto reunirá, ao longo dos próximos meses, os presidentes dos partidos políticos do país, além de empresários, executivos e autoridades, para discutir os rumos das lideranças partidárias de diferentes visões dos políticos, institucionais e econômicos do Brasil diante das eleições de 2026.
Ao iniciar sua fala, Edinho contextualizou o cenário internacional, classificando o momento como um período de “crise econômica longa”, iniciada em 2008, que, segundo ele, redefiniu a lógica da globalização e reposicionou o papel dos Estados nacionais na economia mundial. Para o dirigente petista, o fortalecimento do nacionalismo e as disputas geopolíticas, com destaque para os Estados Unidos, impactam diretamente países da América do Sul, inclusive o Brasil.
Ele avaliou que o cenário global de estagnação econômica tem alimentado o descrédito na democracia representativa, refletido no aumento da abstenção eleitoral em diversos países. “A sociedade vota, mas não vê sua vida melhorar”, resumiu, ao associar o fenômeno à frustração de expectativas, sobretudo das classes médias.
No plano interno, Edinho defendeu que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoveu uma reorganização das políticas públicas e a reconstrução do pacto federativo após um período de desestruturação institucional. Citou como exemplo a distribuição desigual de recursos federais durante a pandemia, que, segundo ele, evidenciou falhas na coordenação do Sistema Único de Saúde (SUS).
O presidente do PT destacou ainda números do atual governo, como o relançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que soma cerca de R$ 970 bilhões em investimentos em infraestrutura; a retomada do Minha Casa, Minha Vida, com aproximadamente 3 milhões de moradias contratadas, em construção ou entregues; e a reformulação do Bolsa Família, que, segundo ele, permitiu que 1,7 milhão de famílias deixassem o programa recentemente.
No campo econômico, mencionou crescimento do PIB entre os maiores do G20, redução do desemprego e recuperação da renda média das famílias para patamares próximos aos de 2010,atualmente em torno de R$ 3.700 mensais, segundo dados citados no discurso.
Apesar dos indicadores positivos, Edinho reconheceu que o país ainda enfrenta forte polarização política, o que, em sua avaliação, dificulta o debate racional sobre políticas públicas.
“O Brasil precisa de maturidade política para construir convergências” – Edinho Silva
Entre os temas que defendeu como prioritários para uma agenda nacional estão:
Exploração estratégica de terras raras, com agregação de valor e parcerias tecnológicas, em vez da simples exportação de minério;
Reindustrialização, com base na Nova Indústria Brasil, que prevê cerca de R$ 800 bilhões em investimentos;
Financiamento do SUS, especialmente para ampliar exames, diagnósticos e cirurgias eletivas;
Educação integral e primeira infância, com ampliação do acesso a creches, vista por ele como medida de impacto direto na renda das mulheres trabalhadoras;
Segurança pública, com foco em tecnologia, valorização profissional e enfrentamento ao crime organizado;
Redução das desigualdades, área em que o Brasil ainda apresenta a maior discrepância de renda entre as 20 maiores economias do mundo.
Edinho também alertou para os efeitos da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho e para a necessidade de debater novas formas de regulação da economia e estímulo ao consumo, diante do avanço da financeirização global.
Próximos Encontros
A série “Cenários do Brasil 2026” ainda receberá os presidentes de outros partidos, entre eles Valdemar Costa Neto (PL), Gilberto Kassab (PSD), Baleia Rossi (MDB), Antonio Rueda (União Brasil) e Ciro Nogueira (Progressistas), ampliando o debate sobre os caminhos do país no próximo ciclo eleitoral.






