Campinas (SP) – O ex-treinador de futebol Vanderlei Luxemburgo participou na manhã desta quinta-feira (12) da 48ª Abav TravelSP, realizada em Campinas, onde apresentou o painel “O Maior do Brasil”. Em uma palestra marcada por relatos de bastidores do futebol, reflexões sobre liderança e críticas à gestão esportiva no país, Luxemburgo compartilhou aprendizados acumulados ao longo de mais de cinco décadas de carreira.
Com passagens por clubes como Palmeiras, Corinthians, Santos e Flamengo, além da Seleção Brasileira de Futebol e time internacionais como o Real Madrid, o treinador utilizou sua trajetória para estabelecer paralelos entre o esporte de alto rendimento e o mundo dos negócios especialmente com o setor de turismo representado pelos agentes de viagens presentes no evento.
Durante a apresentação, Luxemburgo afirmou que o sucesso profissional está diretamente ligado à capacidade de aproveitar oportunidades, mais do que ao conceito de “desafio”, frequentemente valorizado no ambiente corporativo.
“A vida não é feita de desafios. A vida é feita de oportunidades. Todo mundo precisa de uma oportunidade para mostrar o talento. Eu precisei da minha e, quando ela apareceu, aproveitei.”
A importância das associações e da representatividade
Ao dialogar com os profissionais do turismo, o treinador ressaltou a importância de entidades representativas como a Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV). Segundo ele, organizações desse tipo são fundamentais para defender interesses coletivos e fortalecer um setor.
Luxemburgo aproveitou o tema para fazer uma crítica ao futebol brasileiro, que, em sua avaliação, carece de uma estrutura institucional forte que represente e proteja os treinadores nacionais.
“Vocês têm uma associação que representa o setor. No futebol brasileiro não temos algo que nos defenda. Chegam treinadores estrangeiros e entram sem qualquer exigência, enquanto o técnico brasileiro não tem proteção.”
Liderança, decisões e inteligência emocional
Grande parte da palestra foi dedicada a exemplos práticos de liderança em sua carreira. Luxemburgo relembrou momentos decisivos em clubes e seleções, destacando que o papel de quem lidera é tomar decisões difíceis no momento certo.
Ele também destacou que o desempenho de equipes no futebol ou nas empresas depende da combinação entre competência técnica e equilíbrio emocional.
“Existem quatro pilares no futebol: técnico, tático, físico e emocional. O emocional é o mais importante. O medo de perder tira a vontade de ganhar.”
Entre as histórias compartilhadas, o treinador relembrou episódios marcantes, como o título paulista conquistado pelo Palmeiras em 1993 após 16 anos sem conquistas e sua passagem pelo Real Madrid, quando precisou demonstrar liderança logo em sua estreia no comando da equipe espanhola.
Humildade com personalidade
Outro conceito defendido por Luxemburgo foi o equilíbrio entre humildade e firmeza na condução de equipes.
Segundo ele, líderes precisam ouvir diferentes opiniões, mas também devem ter convicção para sustentar decisões quando necessário.
“Humildade é fundamental. Mas tem que ser humildade com personalidade. Se você for humilde sem personalidade, as pessoas passam por cima de você.”
Críticas à gestão do futebol brasileiro
Na parte final da palestra, Luxemburgo fez críticas ao modelo atual de gestão do futebol no Brasil. Para ele, o país perdeu competitividade internacional e abriu espaço para outros mercados, especialmente africanos, no fornecimento de talentos ao futebol mundial.
Ele também questionou práticas administrativas dentro dos clubes e apontou problemas estruturais que, segundo ele, enfraquecem o esporte nacional.
“O Brasil sempre teve a melhor matéria-prima do futebol mundial. Mas hoje estamos vendendo esse talento sem estratégia e perdendo espaço no mercado.”
Lições para o mundo corporativo
Encerrando sua participação na Abav TravelSP, Luxemburgo reforçou que os princípios que orientaram sua carreira no esporte liderança, visão estratégica e valorização do trabalho em equipe também se aplicam ao ambiente empresarial.
Para o treinador, o crescimento de qualquer organização depende de cooperação entre os integrantes e da capacidade de transformar adversários momentâneos em estímulo para evolução.
“No mercado, assim como no futebol, somos adversários momentâneos, não inimigos eternos. A competição faz todos crescerem.”






