A Copa do Mundo de 2026, que será realizada de forma inédita em três países, Estados Unidos, México e Canadá, já começa a redesenhar o comportamento do turista brasileiro no exterior. Mais do que o interesse pelo futebol, o evento projeta uma operação complexa de viagem e um custo elevado, que pode ultrapassar R$ 40 mil por pessoa, dependendo do perfil.
Um levantamento da fintech Nomad, baseado em sua base de clientes, aponta que cerca de 70 mil brasileiros devem viajar para acompanhar o torneio. O estudo não apenas estima os gastos, como revela uma mudança consistente na forma como esse público consome, se desloca e organiza suas experiências fora do país.
Viagem exige estratégia e definição de base
Diferentemente de edições anteriores, a dispersão geográfica das partidas impõe uma decisão logística relevante: escolher uma cidade-base. Nos Estados Unidos, que concentram a maior parte dos jogos, essa escolha tende a seguir três eixos principais, Costa Leste, Costa Oeste ou região central.
A recomendação, segundo o estudo, é evitar deslocamentos constantes entre sedes, o que pode elevar significativamente os custos e comprometer a experiência da viagem.
“A Copa de 2026 trará um desafio logístico e financeiro inédito, com jogos espalhados por três países e a necessidade de lidar com o dólar americano, o peso mexicano e o dólar canadense. Ter uma única conta global para centralizar o orçamento, garantindo uma conversão transparente e fugindo das altas taxas do cartão de crédito, é o que vai permitir ao torcedor focar no que realmente importa: a emoção do mundial e a experiência na América do Norte”, afirma Bruno Guarnieri, CRO da Nomad.
Custos variam por destino e perfil de viagem
Os valores estimados para uma viagem de sete dias mostram diferenças claras entre os três países-sede.
Nos Estados Unidos, o custo inicial gira entre R$ 8 mil e R$ 11 mil em um perfil econômico, podendo chegar a R$ 22 mil em viagens de padrão intermediário. Experiências mais sofisticadas partem de R$ 25 mil.
O México aparece como alternativa mais acessível, com gastos entre R$ 7 mil e R$ 9 mil no modelo econômico e até R$ 16 mil em roteiros mais confortáveis.
Já o Canadá se posiciona como o destino mais caro entre os três, com custos que começam em R$ 10 mil e podem ultrapassar R$ 40 mil em experiências de maior padrão.
Autonomia e consumo mais estratégico marcam novo perfil
Além do impacto financeiro, o levantamento identifica uma transformação no comportamento do turista brasileiro. O modelo tradicional de excursões perde espaço para um viajante mais independente, que prioriza mobilidade urbana, autonomia e decisões de consumo mais racionais.
Os dados mostram que compras ainda lideram os gastos, mas há um equilíbrio maior com despesas do cotidiano, como alimentação, transporte e mercados, sinal de uma experiência mais integrada ao destino.
Nos Estados Unidos, o uso de metrô e aplicativos de transporte indica uma adaptação à dinâmica local. Ao mesmo tempo, o consumidor combina marcas globais com estratégias de economia, como compras em outlets e lojas de desconto.
No Canadá, o padrão é de imersão urbana, com forte uso de transporte público e interesse por atrações icônicas. Já no México, a digitalização convive com hábitos tradicionais, como o uso de dinheiro em espécie em mercados locais, especialmente fora dos grandes centros turísticos.
Gestão financeira vira peça central da viagem
Se em outras edições o maior desafio era o custo das passagens e ingressos, em 2026 a complexidade cambial entra no radar. O turista precisará lidar com três moedas diferentes ao longo da mesma viagem, o que exige planejamento e controle mais rigoroso.
A tendência, segundo o estudo, é de crescimento no uso de contas internacionais e soluções digitais que permitam maior previsibilidade de gastos e redução de taxas.






