Psiquiatra relaciona preservação ambiental, saúde emocional, educação e impacto das tecnologias durante palestra no Prêmio Consciência Ambiental Immensità, em São Paulo
SÃO PAULO (SP) – A construção de um futuro sustentável para a humanidade depende tanto da preservação dos recursos naturais quanto da saúde mental das pessoas. A avaliação foi feita pelo psiquiatra e escritor Augusto Cury durante a palestra “Planeta Terra, Planeta Mente: como construir o futuro sustentável da humanidade”, realizada na noite desta terça-feira (2), durante a 5ª edição do Prêmio Consciência Ambiental Immensità, no Espaço Immensità de Eventos, em São Paulo.
Diante de empresários, lideranças e convidados do evento, Cury defendeu uma visão ampliada da sustentabilidade. Para ele, os desafios ambientais que mobilizam governos, empresas e organizações ao redor do mundo estão diretamente ligados ao comportamento humano e ao crescente adoecimento emocional da sociedade.
Ao abordar a posição do Brasil no cenário global, o psiquiatra destacou o potencial do País na produção de energia renovável e na segurança alimentar, defendendo que a imagem brasileira no exterior deve refletir os avanços ambientais já alcançados.
Segundo ele, o debate sobre sustentabilidade precisa considerar também os desafios relacionados à produção de alimentos em um cenário de crescimento populacional. Cury alertou para a necessidade de maior alinhamento entre setores produtivos e ambientalistas para enfrentar demandas que, em sua visão, poderão se tornar um dos principais desafios geopolíticos das próximas décadas.
O planeta mente em colapso
Mas foi ao tratar da saúde mental que a palestra ganhou tom mais contundente. Para o escritor, a humanidade vive um processo acelerado de desgaste emocional marcado pelo excesso de ansiedade, pela preocupação constante com o futuro, pela dificuldade de lidar com frustrações e pela deterioração das relações interpessoais.
“Antes de colapsar o planeta Terra, o planeta mente já estava em colapso”, afirmou.
A partir dessa reflexão, Cury desenvolveu o conceito que norteou sua apresentação: a necessidade de preservar os recursos emocionais da mesma forma que se busca preservar os recursos naturais.
Na avaliação do psiquiatra, comportamentos cotidianos como críticas excessivas, julgamentos constantes, comparações e cobranças desproporcionais produzem impactos profundos na saúde emocional de indivíduos, famílias e organizações.
“Nós temos que mudar a era do apontamento de falhas para a era da celebração dos acertos”, disse.
Segundo ele, relações mais saudáveis dependem de uma mudança de postura baseada na valorização das pessoas e no fortalecimento da empatia. O psiquiatra argumentou que muitos conflitos familiares, profissionais e sociais são agravados pela incapacidade de reconhecer qualidades e lidar com diferenças.

Ao longo da palestra, Cury também demonstrou preocupação com os efeitos da hiperconectividade e das redes sociais sobre o comportamento humano. Para ele, a transformação digital trouxe benefícios inegáveis, mas também ampliou fenômenos como a dependência tecnológica, a ansiedade e a dificuldade de as pessoas se conectarem consigo mesmas.
O autor afirmou que a sociedade perdeu parte da capacidade de conviver com o silêncio, a introspecção e a reflexão, elementos que considera fundamentais para o equilíbrio emocional.
“Eliminar o tédio da sua vida é eliminar a oportunidade de se conectar com a pessoa mais importante da sua trajetória: você mesmo”, afirmou.
Tecnologia, educação e os desafios do futuro
Outro tema que recebeu destaque foi o impacto da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho e a educação. Embora reconheça o potencial transformador da tecnologia, Cury alertou para a necessidade de preparar as novas gerações para um cenário de mudanças profundas nas relações profissionais.
Segundo ele, o sistema educacional precisará desenvolver competências que vão além da transmissão de conhecimento técnico, fortalecendo habilidades ligadas à criatividade, comunicação, empreendedorismo, resiliência e inteligência socioemocional.
O palestrante também chamou atenção para o aumento dos problemas emocionais entre jovens em diferentes países. Ao citar indicadores relacionados ao isolamento social, à desesperança e à perda de perspectivas entre as novas gerações, defendeu que a saúde mental deve ocupar posição estratégica nas políticas públicas e nos debates sobre o futuro.
Em um dos momentos mais marcantes da apresentação, Cury criticou a cultura da comparação estimulada pelas redes sociais, especialmente entre adolescentes e mulheres. Para ele, a busca por padrões inatingíveis de sucesso, felicidade e beleza tem contribuído para o crescimento da ansiedade, da insegurança e da baixa autoestima.
“A síndrome comparativa é um câncer”, afirmou.
Ao concluir sua apresentação, o psiquiatra defendeu que a sustentabilidade começa na forma como as pessoas cuidam de si mesmas e das relações que constroem ao longo da vida.
“A vida é breve. Por isso, precisamos aprender a viver com mais leveza, menos julgamentos e mais generosidade. O maior legado que alguém pode deixar não está no patrimônio que constrói, mas nas marcas que deixa no próprio coração e na história das pessoas que tiveram o privilégio de compartilhar sua caminhada”, afirmou Augusto Cury.






