Braztoa aponta estabilidade no mercado de viagens no primeiro semestre de 2026; confira análise

Fabiano Camargo, presidente do Conselho da Braztoa, e Marina Figueiredo, presidente executiva da Braztoa (Crédito Divulgação)

A Braztoa identificou um mercado de viagens sustentado pela demanda, mas ainda distante de um ciclo de crescimento acelerado no primeiro semestre de 2026. O desempenho das operadoras associadas mostra uma combinação de estabilidade e avanço moderado nas vendas, enquanto o comportamento do consumidor revela uma equação cada vez mais complexa: condições de pagamento e custo-benefício continuam determinantes, mas produtos de maior valor agregado também ganharam espaço.

Os dados fazem parte da edição mais recente do Boletim Braztoa, levantamento realizado com as operadoras associadas à entidade. O estudo também aponta que as férias de julho mantiveram o ritmo de negócios observado ao longo do ano, tanto nas viagens nacionais quanto nas internacionais. No balanço do semestre, 50% das operadoras classificaram o desempenho das vendas como bom. Outros 32,1% consideraram o resultado regular e 10,7% avaliaram o período como excelente. Apenas 7,1% tiveram uma percepção negativa sobre os primeiros seis meses do ano.

O comportamento dos embarques de julho ajuda a dimensionar esse cenário. Sete em cada dez operadoras, aproximadamente, registraram volume igual ou superior ao de julho de 2025. Entre elas, 42,8% tiveram crescimento de até 25%, enquanto 14,2% avançaram até 50%. Outros 14,2% chegaram a dobrar o volume de embarques na comparação anual. Em 25% das empresas, o movimento ficou próximo ao registrado no ano passado ou apresentou pequena redução.

Para Marina Figueiredo, presidente executiva da Braztoa, os números não apontam para uma expansão uniforme do mercado, mas mostram que a demanda permanece ativa mesmo diante das dificuldades enfrentadas pelo setor.

“Os resultados mostram um mercado que continua se movimentando, mesmo diante de um cenário bastante desafiador. Não estamos falando de um crescimento homogêneo ou acelerado, mas de um comportamento de estabilidade e crescimento moderado, que demonstra a força da demanda por viagens e a capacidade de adaptação das empresas”, afirma.

Viagem doméstica mantém espaço no orçamento

No mercado brasileiro, o desempenho das operadoras foi predominantemente positivo. 76% registraram vendas dentro ou acima do esperado no primeiro semestre, sendo 44% dentro das projeções e 32% acima ou muito acima delas. O melhor momento para as viagens nacionais ocorreu nas férias de janeiro e fevereiro. Nesse intervalo, 88% das empresas tiveram resultados dentro ou superiores às expectativas.

O desempenho voltou a se aproximar desse patamar nos feriados do primeiro semestre e durante as férias de julho. Nos dois períodos, 76% das operadoras ficaram dentro ou acima do esperado, embora com diferenças na intensidade dos resultados.O quadro sugere que a procura por viagens domésticas permaneceu relativamente regular durante o semestre, sem que os períodos de maior movimentação provocassem uma ruptura significativa nesse padrão.

Internacional enfrenta custos e cenário externo

As viagens internacionais também preservaram um nível relevante de demanda, mas estiveram mais expostas aos fatores que pressionam o custo das viagens. No primeiro semestre, 71,3% das operadoras tiveram resultados dentro ou acima das expectativas. Janeiro e fevereiro concentraram novamente o melhor desempenho, com 85,6% das empresas alcançando ou superando suas projeções.

Nos feriados, o índice ficou em 78,5%. Já nas férias de julho, 82% das operadoras registraram vendas dentro ou acima do esperado, incluindo 7,1% que classificaram o resultado como muito superior à expectativa. O desempenho ocorre em um ambiente no qual fatores externos seguem interferindo diretamente na decisão de compra. Entre os impactos negativos identificados pela pesquisa, os conflitos no Oriente Médio foram citados por 85,7% das operadoras.

Já o  preço das passagens aéreas apareceu em seguida, mencionado por 67,9% das empresas. A economia brasileira foi apontada por 64,3%, enquanto a instabilidade política em destinos ou mercados emissores apareceu em 57,1% das respostas. As oscilações cambiais foram citadas por 39,3%.

Crédito pesa mais na decisão de compra

Se o cenário internacional e os custos representam obstáculos, as condições comerciais aparecem como uma das principais ferramentas para preservar as vendas. Parcelamento, crédito e condições de pagamento foram apontados por 60,7% das operadoras como fatores positivos para os negócios, maior percentual entre os itens avaliados. A busca por custo-benefício apareceu na sequência, com 46,4%.

A leitura dos dados indica que o preço continua relevante, mas não explica sozinho o comportamento do viajante. A possibilidade de distribuir o pagamento e encontrar uma relação considerada vantajosa entre preço e experiência tem papel importante na concretização da viagem. Esse comportamento convive com outro movimento observado pelas operadoras: o aumento da procura por produtos premium e de luxo, citado por 39,3% das empresas entre os fatores positivos. O mesmo percentual foi registrado para novas rotas aéreas e ampliação da conectividade.

“Os dados mostram um consumidor que continua querendo viajar, mas que está cada vez mais atento à relação entre preço, condições de pagamento e valor da experiência. Ao mesmo tempo, observamos uma demanda relevante por produtos premium e de maior valor agregado. Isso reforça a necessidade de o setor trabalhar com diferentes perfis e propostas de viagem”, explica Marina.

Produtos de maior valor avançam

A segmentação das vendas ajuda a explicar essa aparente contradição entre preocupação com preço e crescimento do mercado de alto padrão. Os produtos premium e de luxo registraram crescimento para 64% das operadoras consultadas, enquanto apenas 4% apontaram queda. É o melhor resultado entre as categorias avaliadas no boletim.

Nas viagens personalizadas e sob medida, 52% das empresas também registraram crescimento. O resultado reforça a procura por produtos construídos de acordo com interesses específicos do viajante.Já os produtos promocionais e as ofertas especiais apresentaram uma distribuição mais equilibrada: 48% das operadoras tiveram crescimento, 44% mantiveram vendas semelhantes e 7,14% registraram queda.

Nos produtos de entrada e de perfil econômico, a estabilidade foi predominante. 52% das empresas mantiveram a demanda, contra 32% que tiveram crescimento e 16% que registraram retração. A diferença entre os segmentos mostra que a preocupação com preço não necessariamente significa migração generalizada para produtos mais baratos. Há consumidores buscando economia e flexibilidade de pagamento, enquanto outros mantêm disposição para investir em experiências de maior valor.

Cruzeiros e neve aparecem entre os destaques

Outros dois segmentos avaliados pela Braztoa também apresentaram desempenho positivo.Entre as operadoras que trabalham com cruzeiros, 52,6% registraram crescimento das vendas e 47,4% apontaram estabilidade. Nenhuma empresa participante indicou queda na demanda. Produtos e destinos relacionados a neve e ski tiveram crescimento para metade das operadoras. Outros 37,5% avaliaram que a procura permaneceu estável.

A inteligência artificial e as novas tecnologias também aparecem no levantamento, citadas por 32,1% das empresas entre os fatores que contribuíram positivamente para os negócios. Para Marina Figueiredo, os resultados apontam para um consumidor menos previsível e para um mercado no qual diferentes perfis de demanda convivem.

“Trata-se de um mercado que está cada vez menos linear. O viajante busca preço e boas condições de pagamento, mas isso não significa necessariamente que esteja buscando apenas o produto mais barato. Ao mesmo tempo em que há uma preocupação maior com custo-benefício, vemos crescer a procura por experiências premium, personalizadas e com maior valor agregado. Para as operadoras, isso reforça a importância de trabalhar diferentes propostas e entender cada vez melhor os perfis e as motivações dos viajantes”, finaliza Marina

Deixe um comentário

Leia também:

Shopping cart

0
image/svg+xml

No products in the cart.

Continue Shopping