Temporada de cruzeiros 2025/2026 injeta R$ 4,28 bilhões na economia brasileira; veja estudo 

Divulgação CLIA Brasil

A CLIA Brasil registrou impacto econômico de R$ 4,28 bilhões na economia brasileira durante a temporada de cruzeiros de cabotagem 2025/2026, com 602.864 passageiros transportados. O resultado, porém, representa uma retração em relação ao ciclo anterior, acompanhada pela redução de empregos e arrecadação de tributos.

O estudo realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com a CLIA Brasil aponta que a temporada sustentou 64.529 postos de trabalho e gerou R$ 166,3 milhões em tributos federais, estaduais e municipais. Os dados foram apresentados durante o 8º Fórum CLIA Brasil 2026, em Brasília.

A operação contou com sete navios, dois a menos que na temporada 2024/2025. Com isso, o número de cruzeiristas caiu 28%, uma redução de 235.232 passageiros. O impacto econômico recuou 21%, enquanto os postos de trabalho sustentados diminuíram 24%. Do total de R$ 4,28 bilhões movimentados, R$ 2,28 bilhões correspondem às despesas das companhias marítimas relacionadas à operação no país. Outros R$ 2 bilhões foram gerados pelos gastos de passageiros e tripulantes durante a permanência nos destinos.

O estudo também calculou um Índice de Alavancagem Econômica de 3,89. Na prática, cada R$ 1 investido pelas companhias para viabilizar a temporada movimentou R$ 3,89 na economia brasileira, alcançando segmentos como transporte, hospedagem, alimentação, comércio, logística, abastecimento e serviços turísticos.

“Os resultados mostram de forma muito clara que a oferta determina o tamanho do impacto gerado pelo setor. Tivemos dois navios a menos e uma redução de 28% no número de passageiros, o que significou menos recursos movimentados, empregos e tributos para o país. Mesmo assim, são resultados que demonstram a capacidade do setor de alcançar diferentes atividades e destinos”.

Marco Ferraz, presidente executivo da CLIA no Brasil.

Alimentação e comércio concentram gastos

Os destinos também sentiram os efeitos da movimentação de passageiros e tripulantes. Nas cidades de escala, o impacto econômico direto, indireto e induzido chegou a R$ 800,98 por cruzeirista. Nos destinos de embarque e desembarque, o valor foi de R$ 962,55 por passageiro.

Divulgação Clia

Alimentação e bebidas e comércio varejista concentraram R$ 1,23 bilhão dos gastos realizados fora dos navios. O primeiro segmento movimentou R$ 627,1 milhões, enquanto o comércio respondeu por R$ 605,5 milhões. Outros R$ 294,6 milhões foram destinados ao transporte antes ou depois da viagem, R$ 248,1 milhões a passeios turísticos, R$ 127,6 milhões ao transporte durante a viagem e R$ 92,1 milhões à hospedagem antes ou depois do cruzeiro.

Dos 64.529 postos de trabalho sustentados pela temporada, 1.208 estavam diretamente ligados aos tripulantes dos navios. Os outros 63.321 foram empregos diretos, indiretos e induzidos em atividades relacionadas à cadeia de turismo e serviços. O tíquete médio da viagem foi de R$ 6.108,50 por passageiro, com duração média de 4,2 dias. O estudo não considera no cálculo do impacto econômico o valor pago pela viagem nem os gastos realizados a bordo, concentrando-se nas despesas das companhias no Brasil e no consumo de passageiros e tripulantes em terra.

Navios de passagem geram mais R$ 480,9 milhões

Além da cabotagem, 21 navios de passagem, pertencentes a 18 companhias, fizeram escalas no litoral brasileiro durante a temporada. As embarcações passaram por 35 destinos e registraram 293.596 visitas de passageiros e 139.108 de tripulantes.

Esse segmento acrescentou R$ 480,94 milhões à economia brasileira, cerca de 18% menos que no ciclo anterior. A operação também gerou aproximadamente 7,5 mil postos de trabalho e R$ 51,15 milhões em tributos. Considerando cabotagem e navios de passagem, o setor de cruzeiros movimentou R$ 4,76 bilhões na temporada 2025/2026, queda de 21% em relação ao ciclo anterior. Foram pouco mais de 72 mil postos de trabalho e R$ 217,45 milhões em tributos.

Oferta volta a crescer em 2026/2027

De acordo com o estudo, a temporada 2026/2027 deverá interromper a retração da oferta observada no ciclo atual. Entre 31 de outubro de 2026 e 9 de abril de 2027, oito navios estão previstos para operar na costa brasileira: Costa Diadema, Costa Serena, Corazul Buenavista, MSC Virtuosa, MSC Splendida, MSC Divina, MSC Musica e MSC Seaview.

A capacidade chegará a 817.562 leitos, aproximadamente 24% acima da temporada 2025/2026. A programação também prevê 187 roteiros e 675 escalas, contra 160 roteiros e 617 escalas no ciclo anterior. Os embarques e desembarques serão realizados nas cidades de  Santos, Rio de Janeiro, Salvador, Maceió, Itajaí, Balneário Camboriú e Paranaguá. Os roteiros também incluem destinos como Angra dos Reis, Búzios, Ilha Grande, Ilhabela e Recife, além de cidades da América do Sul, como Buenos Aires, Montevidéu e Punta del Este.

Para a CLIA Brasil, o aumento da oferta ocorre em um cenário internacional que favoreceu o posicionamento de navios na região, mas fatores estruturais ainda pesam sobre a competitividade brasileira.

“A próxima temporada traz uma recomposição importante, mas precisamos trabalhar para que ela se transforme em tendência. Os navios disputados pelo Brasil também podem operar em outros mercados. Ampliar de forma consistente a presença da indústria exige previsibilidade, infraestrutura adequada, custos competitivos e um ambiente regulatório alinhado à realidade internacional”, conclui Ferraz.

O Estudo de Perfil e Impactos Econômicos de Cruzeiros Marítimos no Brasil, produzido pela FGV em parceria com a CLIA Brasil, está disponível na íntegra acessando este link.

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