O Centro de São Paulo deu um passo definitivo em seu processo de revitalização nesta quinta-feira (23). Em coletiva realizada na Associação Comercial de São Paulo, o Prefeito Ricardo Nunes, o Governador Tarcísio de Freitas e o empresário Álvaro Aoas, da Fábrica de Bares, apresentaram os detalhes do Boulevard São João. A iniciativa busca transformar o eixo entre o Largo do Paissandu e a Praça Júlio Mesquita em um polo de convivência, tecnologia e desenvolvimento econômico.
O projeto, que é fruto de três anos de articulação entre o poder público e a iniciativa privada, prevê a instalação de 2.000 metros quadrados de telas de LED de última geração. O impacto visual será comparável a grandes centros globais, como Piccadilly Circus, em Londres. Uma das telas, posicionada em frente ao icônico Bar Brahma, terá 1.000 metros quadrados, superando em 30% as dimensões da similar londrina.
Inovação com respeito ao patrimônio
Um dos pontos centrais da apresentação foi a conciliação entre a modernidade dos painéis digitais e a preservação histórica. Edifícios tombados que não podem receber estruturas fixas, como o Edifício Independência, contarão com projeções mapeadas.
“Trabalhamos com a lei em uma mão e o sonho na outra. O objetivo é trazer vida, luz e esperança para uma região que sofreu muito nos últimos anos”, afirmou o empresário Álvaro Aoas.
A operação financeira do Boulevard baseia-se no conceito de mídia regenerativa. De acordo com as diretrizes estabelecidas, 70% do tempo de exibição nas telas será destinado a conteúdos de utilidade pública, informações culturais e interatividade. Os 30% restantes serão ocupados por conteúdos patrocinados que financiarão a manutenção, o restauro de monumentos e as atividades socioculturais do eixo.
Ocupação cultural e lazer aos finais de semana
A proposta do Boulevard São João vai além da estética digital. O planejamento prevê o fechamento da via para pedestres aos sábados, das 18h até as 23h de domingo. Durante esse período, o centro receberá quatro palcos com programação diversificada, incluindo samba, MPB e sertanejo, além de feiras gastronômicas e de artesanato inspiradas na feira de San Telmo, em Buenos Aires.
O calendário será temático, com eventos mensais que variam desde o Festival Feminino de Música em março até o Natal do Boulevard em dezembro. A abertura das atividades aos sábados será marcada pela apresentação da banda da Guarda Civil Metropolitana (GCM), simbolizando a retomada da segurança e do ordenamento público.
Contexto de mercado e governança
A viabilização do projeto ocorre em um momento de crescimento do setor de eventos na capital paulista. Segundo dados da Prefeitura, a arrecadação de impostos (ISS) do setor saltou de R$ 42 milhões em 2015 para R$ 360 milhões no último ano. Em 2025, São Paulo recebeu 47 milhões de turistas, consolidando sua posição como destino global.
O Prefeito Ricardo Nunes enfatizou que a iniciativa não interfere na Lei Cidade Limpa, mas atua como um projeto específico de regeneração urbana devidamente aprovado pelos órgãos competentes.
“Não existe hipótese de acabar com a Cidade Limpa. O que temos aqui é um projeto de recuperação do centro, analisado por dois anos, que vai gerar emprego e renda em um local que já apresenta resultados positivos na segurança pública”, destacou Nunes.
O Governador Tarcísio de Freitas reforçou a importância da união entre as esferas administrativa e o setor privado. Para o governador, a recuperação da região central depende de uma “mudança de atitude” coletiva.
“Estamos resgatando a autoestima do paulistano. A recuperação do centro não é responsabilidade de apenas um órgão, mas de todos. O Boulevard é o somatório de vários pequenos projetos que, juntos, devolvem a cidade para as pessoas”, pontuou Tarcísio.






