A decisão do governo federal de isentar turistas chineses da exigência de visto para entrada no Brasil já movimenta o setor de turismo, que vê na medida uma oportunidade concreta de ampliar o fluxo internacional e fortalecer negócios entre os dois países. O anúncio foi feito na última quinta-feira (7) pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin, ao lado do ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, e passou a valer nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026.
A medida integra um programa-piloto válido até dezembro deste ano e contempla viagens de até 30 dias para turismo, negócios, participação em eventos e visitas familiares. Na prática, o governo reduz uma barreira burocrática considerada histórica para atrair visitantes de um dos mercados emissores mais relevantes do mundo.
Para a presidente da ABAV Nacional, Ana Carolina Medeiros, a decisão tende a gerar impactos positivos em toda a cadeia turística brasileira.
“A China representa uma das oportunidades mais estratégicas para a expansão do turismo brasileiro. A isenção de vistos facilita o acesso ao país e cria um ambiente mais favorável para o aumento do fluxo de visitantes, o que impacta diretamente companhias aéreas, hotelaria, receptivos e serviços locais”, afirma.
O mercado chinês é visto com atenção pelo trade por seu alto potencial de consumo e pelo interesse crescente em destinos internacionais de longa distância. Além do turismo de lazer, o segmento corporativo também deve ser beneficiado, com maior circulação de delegações empresariais e visitantes para feiras e eventos realizados no Brasil.
Apesar do cenário promissor, especialistas do setor avaliam que a abertura exige preparação. Questões como conectividade aérea, capacitação de profissionais, adaptação cultural e ampliação de meios de pagamento compatíveis com hábitos do turista chinês estão entre os desafios imediatos para destinos e empresas brasileiras.
Segundo Ana Carolina Medeiros, as agências de viagens terão papel estratégico nesse processo, tanto na recepção de visitantes chineses quanto no fortalecimento do intercâmbio turístico entre os dois países.
“As agências são fundamentais para garantir experiências seguras e bem estruturadas. Existe um trabalho importante de curadoria de produtos, capacitação e relacionamento comercial para atender esse público de forma adequada”, destaca.
Nos últimos meses, a ABAV Nacional intensificou sua presença no mercado asiático como parte de sua estratégia de internacionalização. Em abril deste ano, a entidade participou da MITE, em Macau, onde promoveu o Brasil para operadores e fornecedores asiáticos a convite da APAVT e do Turismo de Macau.
Antes disso, em dezembro de 2025, a entidade também esteve presente na CITM, participando de rodadas de negócios e de visitas técnicas em destinos como Chongqing e Sanya.
A avaliação do setor é que a isenção de vistos coloca o Brasil em posição mais competitiva na disputa por turistas asiáticos e reforça o movimento de internacionalização do turismo nacional em um momento em que destinos globais ampliam esforços para atrair visitantes de alto gasto médio.
Se o programa-piloto apresentar resultados positivos até o fim do ano, a expectativa do mercado é que a medida possa se tornar permanente e consolidar uma nova frente de crescimento para o turismo brasileiro.






