FOZ DO IGUAÇU (PR) – A busca por experiências autênticas tem colocado produtos regionais no centro das estratégias de promoção turística de diversos destinos brasileiros. No Paraná, essa tendência ganha força por meio das Indicações Geográficas (IGs), certificações que reconhecem a relação entre um produto e seu território de origem e que estiveram entre os destaques apresentados durante o 21ª Festival Internacional de Turismo Cataratas (FITCataratas), em Foz do Iguaçu (PR)
Com 26 registros reconhecidos pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), o Estado possui atualmente o maior número de Indicações Geográficas do País. Mais do que um selo de procedência, a certificação vem sendo utilizada por municípios e produtores para agregar valor às experiências turísticas ligadas à gastronomia, à cultura e às tradições locais.
Um dos exemplos apresentados no evento foi a Cracóvia de Prudentópolis, embutido produzido por descendentes de imigrantes ucranianos e reconhecido com Indicação de Procedência no início de 2025. O produto se tornou um dos símbolos da cidade da região Centro-Sul do Paraná, conhecida nacionalmente pela forte influência da cultura ucraniana.
“A Cracóvia representa hoje um produto fortemente presente nas vendas de defumados. Ela é um símbolo, um ícone da cidade, ligado à cultura ucraniana e à herança europeia na produção de alimentos defumados. Com a conquista do IG, passou a ter uma identidade geográfica e uma indicação de procedência”, afirma Marcos Machulek, presidente da Associação dos Produtores de Embutidos de Prudentópolis (Apep).
A presença do município no FITCataratas foi além da gastronomia. Apresentações folclóricas e manifestações culturais reforçaram a ligação entre o produto certificado e a identidade local, um movimento que tem se tornado cada vez mais comum em destinos que apostam no turismo de experiência.
Outro caso que chamou a atenção dos visitantes veio do litoral paranaense. O Pontal do Paraná apresentou acessórios produzidos com couro de peixe, atividade que acaba de render ao município uma certificação inédita no Brasil. Concedida em maio deste ano, a Indicação Geográfica reconhece produtos elaborados a partir do aproveitamento sustentável das peles provenientes da pesca artesanal.
O trabalho, desenvolvido por artesãos da região, alia geração de renda, preservação cultural e valorização dos saberes caiçaras.
“Fomos agraciados com essa identificação geográfica pela qualidade do nosso produto. Ele passou por uma avaliação científica criteriosa para ser considerado uma indicação de procedência. O melhor couro de peixe do Paraná e do Brasil encontra-se em Pontal do Paraná”, destaca Maria Regina Macedo Alves, artesã e secretária da Associação Couro de Peixe de Pontal do Paraná (ACPPP).
Além do artesanato, o município aproveitou o evento para divulgar o Cambira, prato típico do litoral preparado com peixe defumado, pirão e banana-da-terra, que também busca reconhecimento oficial.
Tradição holandesa impulsiona turismo em Carambeí
Nos Campos Gerais, outro produto tradicional passou a integrar o grupo das Indicações Geográficas paranaenses. As tortas de Carambeí, cuja origem remonta à chegada dos imigrantes holandeses no início do século passado, receberam certificação neste ano e já figuram entre os principais atrativos gastronômicos do município.
Segundo Lucas Henrique, produtor local, o reconhecimento formaliza uma vocação turística construída ao longo de décadas.
“As tortas de Carambeí já eram, há muito tempo, um atrativo turístico para as pessoas que vinham de cidades mais distantes para provar esse sabor tão característico. A indicação geográfica surgiu justamente para valorizar esse diferencial, a história, os ingredientes e o modo de fazer. Com o apoio do Sebrae, conseguimos transformar essa ideia em realidade”, relata.
Para entidades ligadas ao desenvolvimento regional, o avanço das Indicações Geográficas cria oportunidades que vão além da comercialização dos produtos. A certificação contribui para fortalecer a imagem dos destinos, estimular pequenos negócios e ampliar o interesse dos visitantes por experiências ligadas à cultura local.
“Mais do que a obtenção do registro, o Sebrae acredita que a Indicação Geográfica é uma ferramenta de desenvolvimento regional, capaz de gerar valor para os produtos, fortalecer a cultura local, ampliar oportunidades de mercado e promover o território de forma diferenciada“, conclui Nádia Joboji Fernandes, gestora de Projetos de Turismo e Economia Criativa da Regional Centro do Sebrae Paraná.






