O LIDE promoveu nesta segunda-feira (6), em São Paulo, a quinta edição Almoço Empresarial, Cenários do Brasil que reúne empresários, investidores e executivos para discutir os principais fatores que devem influenciar o ambiente econômico e político brasileiro até as eleições presidenciais de 2026.
O painel desta edição reuniu o cientista político Rafael Cortez e os jornalistas Bruno Ribeiro, Caio Junqueira e Eduardo Oinegue, que apresentaram análises sobre os desafios fiscais, a disputa eleitoral e os riscos institucionais que podem afetar a confiança dos mercados.
Abrindo o debate, Rafael Cortez, responsável pela análise de risco político da Tendências Consultoria, afirmou que o elevado patamar da taxa básica de juros reflete um problema estrutural da política brasileira. Segundo ele, o atual modelo de governabilidade reduziu a capacidade do Executivo de conduzir reformas consideradas essenciais para o equilíbrio fiscal.
“Temos hoje no Brasil quase um governo tripartite entre o Presidente da República, o Presidente da Câmara e o Presidente do Senado”, afirmou.
Na avaliação do cientista político, a maior autonomia política e orçamentária do Congresso diminuiu os incentivos para a aprovação de medidas fiscais de maior impacto. Com isso, a consultoria projeta que a taxa de juros neutra nominal do país permaneça entre 9,5% e 10% ao ano, cenário que, segundo Cortez, só deverá ser alcançado por volta de 2029.
Direita mira 2026 enquanto Tarcísio concentra estratégia em São Paulo
O jornalista Bruno Ribeiro, da Folha de S.Paulo, abordou o cenário da oposição e afirmou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tem priorizado sua reeleição estadual em vez de disputar a Presidência em 2026.
Segundo Ribeiro, a estratégia é consolidar sua liderança política em São Paulo e construir uma candidatura presidencial mais consistente para 2030. Enquanto isso, o senador Flávio Bolsonaro permanece como um dos nomes competitivos do campo conservador.
Durante sua participação, o jornalista também chamou atenção para um tema que, segundo ele, deve ganhar relevância no ambiente político e econômico: a infiltração do crime organizado em estruturas partidárias.
“As facções foram declaradas organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos. Se não estivermos atentos ao escolher um candidato com conexões com esses grupos, podemos expor nossa economia a sanções e represálias externas”, alertou.
Ribeiro ainda destacou o avanço das ferramentas de inteligência artificial na produção de deepfakes e campanhas de desinformação, apontando esse fator como um dos principais riscos para o processo eleitoral de 2026.
Cenário internacional e Caso Master podem influenciar a disputa
O analista político da CNN Brasil, Caio Junqueira, defendeu que a próxima eleição presidencial deverá ser decidida por uma margem reduzida de votos e identificou três fatores que podem alterar o cenário eleitoral ao longo dos próximos meses.
Entre eles estão os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio e seus impactos sobre inflação, combustíveis e fertilizantes; o efeito político do chamado “trumpismo” nas relações entre governo e oposição; e o chamado Caso Master, apontado pelo analista como um dos principais elementos de volatilidade política.
Segundo Junqueira, pesquisas recentes indicam mudança na percepção do eleitorado sobre o caso.
“A pesquisa Genial/Quaest mostrou que, se no começo do ano o Caso Master batia no Supremo, em junho a primeira resposta do eleitor sobre quem está mais envolvido é a ‘família Bolsonaro’. O caso hoje neutraliza a direita e dá um favoritismo moderado a Lula”, explicou.
Apesar disso, o analista ressaltou que o cenário permanece aberto e sujeito a mudanças conforme novas investigações avancem.
Democracia, carga tributária e reformas estruturais
Encerrando o encontro, o jornalista Eduardo Oinegue, do Jornal da Band e âncora da BandNews , fez uma análise sobre o processo de amadurecimento democrático brasileiro e criticou o que classificou como excesso de privilégios dentro da estrutura do Estado.
Ao Comparar a democracia ininterrupta dos Estados Unidos que possui 237 anos com os escassos 37 anos de estabilidade eleitoral do Brasil pós-Redemocratização Oinegue afirmou que a previsibilidade política continua sendo um dos principais desafios para investidores.
“Nós achávamos que vivíamos na República Federativa do Brasil, mas vivemos na República Monarquista do Brasil, repleta de príncipes, viscondes e barões”, criticou Oinegue, apontando o salto da carga tributária de 22% para mais de 35% do PIB sem contrapartida de eficiência pública.
O jornalista também apontou o crescimento da carga tributária, o volume das emendas parlamentares e a ausência de reformas estruturais como fatores que limitam a competitividade do país. Na avaliação dele, a eleição presidencial de 2026 poderá ser definida por uma diferença extremamente reduzida de votos, tornando ainda mais decisivo o comportamento do eleitorado nas próximas campanhas.

