Itália aposta no acordo Mercosul-União Europeia para ampliar comércio com o Brasil e fortalecer setor alimentício

Alessandro Cortese, Embaixador da Itália no Brasil (a esquerda) e Antonio Cellie CEO da Fiere di Parma (no centro) com integrantes do trade italiano - Crédito Dalton Assis AC News

SÃO PAULO (SP) – O acordo entre Mercosul e União Europeia já começa a gerar impacto nas relações comerciais entre Brasil e Itália antes mesmo da conclusão de todas as etapas formais de aprovação nos parlamentos europeus. A avaliação é do embaixador da Itália no Brasil, Alessandro Cortese, que participou nesta terça-feira (19) de uma coletiva de imprensa no pavilhão italiano da 40ª edição da APAS SHOW 2026, em São Paulo.

Segundo o diplomata, o tratado  que já entrou em vigor em 1º de maio e deve acelerar significativamente as trocas comerciais entre os dois mercados, especialmente nos setores de alimentos, commodities e produtos industrializados.

“O acordo União Europeia-Mercosul vai ajudar muito as trocas entre os dois países”, afirmou Cortese. “Desde 2024 para 2025, antes mesmo da entrada em vigor do acordo, já tivemos um crescimento de 12% nas trocas comerciais dos dois lados.” complementa.

O embaixador destacou que a decisão da Itália foi determinante para viabilizar a aprovação política do tratado dentro da União Europeia. Segundo ele, embora países pertencentes ao bloco como a França, tenham demonstrado resistência, não houve força suficiente para barrar o avanço do acordo.

“A decisão da Itália de subscrever o acordo foi decisiva para obter a maioria necessária para aprovação. Se a Itália tivesse ficado do lado da França, o acordo não existiria”, declarou.

Cortese explicou  ainda que a redução gradual das tarifas deve beneficiar diretamente produtos exportados entre os dois continentes. Entre os itens brasileiros com potencial de crescimento nas exportações para a Itália estão soja, café, terras raras e outras commodities. Já os produtos italianos tendem a ganhar competitividade no mercado brasileiro com a diminuição de custos de importação.

O diplomata também ressaltou a forte ligação cultural entre os dois países como um fator relevante para a expansão do consumo de produtos italianos no Brasil.

“No Brasil vivem cerca de 32 milhões de pessoas de origem italiana, muito interessadas nos produtos italianos. Se esses produtos custarem menos, naturalmente vão comprar mais”, disse.

Um acordo histórico

Durante a coletiva, o CEO da Fiere di Parma, Antonio Cellie, classificou o acordo como magnífico, capaz de redefinir as relações econômicas entre Europa e América do Sul.

“É um acordo histórico porque muda as regras de relacionamento entre dois grandes continentes como Europa e América do Sul”, afirmou Cellie. “Existe uma integração perfeita do ponto de vista agroindustrial e da mecânica agrícola em uma cadeia decisiva para o futuro.”

Segundo o executivo, a cooperação entre os dois blocos será estratégica em um cenário global de segurança alimentar. “No futuro, não haverá comida para todos. Uma aliança entre Europa e América do Sul garantirá uma magnífica interdependência entre esses continentes”, declarou.

TuttoFood 2028

A coletiva também serviu para apresentar os planos de expansão da TuttoFood, feira internacional do setor alimentício realizada em Milão e organizada pela Fiere di Parma.

Historicamente focada no “Made in Italy”, a feira vem ampliando sua atuação internacional e aposta no conceito “Best Made in the World”, reunindo produtos de diferentes mercados globais. Atualmente, o evento conta com representantes de cerca de 70 países e 38 pavilhões nacionais.

Antonio Cellie afirmou que a meta é ampliar ainda mais essa presença internacional nas próximas edições, incluindo maior participação de expositores sul-americanos.

“A vocação da TuttoFood é se tornar uma plataforma global”, disse. “Produtos da América do Sul já são importantes para nós e serão ainda mais relevantes nas próximas edições.”

De acordo com o executivo, a edição de 2028 que será realizada entre os dias 8 a 11 de maio, contará com expansão estrutural e ganhará dois novos pavilhões, indo dos atuais 82 metros quadrados podendo ultrapassar  os 110 mil metros quadrados de área expositiva, aproximando-se do porte de grandes feiras internacionais do setor alimentício, como a SIAL Paris.

Cellie também reforçou a dependência da indústria italiana das matérias-primas brasileiras e destacou que o fortalecimento do acordo entre Mercosul e União Europeia cria um ambiente favorável para novos negócios entre empresas dos dois países.

“Nós não somos apenas vendedores de espaço. Trabalhamos para conectar indústrias a clientes no mundo inteiro”, afirmou. “O intercâmbio entre Itália e Brasil cresce cada vez mais porque muitas indústrias italianas transformam magnificamente as matérias-primas brasileiras.” finaliza Antonio Cellie.

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