Operadoras projetam segundo semestre positivo e acima de 2025, mas eleições e economia preocupam

Fabiano Camargo, presidente do Conselho da Braztoa, e Marina Figueiredo, presidente executiva da Braztoa. (Crédito Divulgação)

A Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo) identifica um cenário de vendas favorável para o segundo semestre de 2026, embora as empresas mantenham atenção sobre fatores que podem afetar tanto a demanda quanto os custos das viagens. Segundo o mais recente Boletim Braztoa 2026, metade das operadoras consultadas registra ritmo de vendas acima ou muito acima do observado no mesmo período de 2025.

Do total, 42,86% afirmam que as vendas estão acima do ano passado e 7,14% apontam desempenho muito acima. Outros 35,71% consideram o ritmo em linha com 2025. Apenas 3,57% registram resultado inferior, enquanto 10,71% ainda não conseguem avaliar o desempenho do período. A percepção positiva, no entanto, convive com um ambiente de maior incerteza. As eleições presidenciais de 2026 aparecem entre os principais fatores de preocupação das operadoras, ao lado de questões econômicas, cambiais e geopolíticas.

“Os indicadores mostram que existe demanda e que o segundo semestre começa com um ritmo positivo. Ao mesmo tempo, as operadoras estão acompanhando um cenário com muitas variáveis, desde as eleições e a economia até questões geopolíticas, cambiais e de conectividade aérea. Essa combinação exige planejamento, agilidade e capacidade de adaptação”, afirma Marina Figueiredo, presidente executiva da Braztoa.

Eleições, economia e cenário internacional

O ambiente político brasileiro é apontado pelas empresas como um dos elementos capazes de interferir no comportamento das vendas nos próximos meses. As preocupações também envolvem possíveis reflexos de instabilidades políticas e das relações diplomáticas no ambiente de negócios. Na economia, endividamento, questões fiscais, inflação, juros e câmbio estão entre os pontos acompanhados pelas operadoras. Além de influenciar o poder de compra do consumidor, essas variáveis interferem nos custos e na formação dos preços dos produtos turísticos.

Já no cenário internacional, a continuidade dos conflitos no Oriente Médio e a possibilidade de novas tensões permanecem no radar. A instabilidade também pode atingir a operação aérea, com impactos sobre preços e disponibilidade de passagens, cancelamentos, fechamento de rotas e conectividade.

Para as empresas, a atenção aos custos ganhou peso diante desse cenário. A Reforma Tributária é outro tema citado no levantamento, especialmente pelos possíveis efeitos sobre operações, margens e comercialização de produtos e serviços turísticos. Combustíveis, custos financeiros, inadimplência e mudanças regulatórias completam a lista de preocupações.

“É importante diferenciar os fatores que podem afetar a demanda daqueles que impactam diretamente a operação das empresas. O segundo semestre traz desafios nas duas frentes. Por isso, monitorar custos, legislação, câmbio e cenário econômico passa a ser tão importante quanto acompanhar o comportamento do viajante”, explica Marina.

Feriados favorecem viagens domésticas

Os feriados prolongados previstos para o segundo semestre 7 de Setembro, 12 de Outubro, Finados e Consciência Negra aparecem como uma oportunidade mais clara para o turismo nacional. De acordo com o levantamento, 44% das operadoras esperam contribuição moderada dos feriados para as vendas domésticas, enquanto 28% projetam impacto significativo. Outros 20% avaliam que a contribuição será limitada e 8% não esperam impacto relevante.

Com isso, 72% das operadoras enxergam algum nível de contribuição moderada ou significativa dos feriados para as viagens nacionais. No mercado internacional, a expectativa é mais contida. Para 35,7% das empresas, o impacto deverá ser limitado; 32,1% esperam contribuição moderada e 14,2% apostam em um impulso significativo. Outros 14,2% não projetam efeito relevante.

A diferença está relacionada, principalmente, à duração das viagens. Os períodos curtos de folga favorecem destinos nacionais e roteiros que podem ser realizados em poucos dias, enquanto viagens internacionais normalmente exigem mais tempo de deslocamento. A possibilidade de combinar feriados com dias adicionais de descanso, contudo, pode ampliar essa demanda, especialmente em destinos próximos, como os da América do Sul.

Orlando e Europa estão entre as apostas

Entre os mercados internacionais com maior potencial de crescimento até o fim do ano, Orlando e Europa aparecem entre os destinos mais citados pelas operadoras. Caribe, Cancún, Punta Cana, Chile e África do Sul também estão entre as apostas. O levantamento ainda reúne referências a Japão, Argentina, México, Egito, Canadá, China, Tunísia, Tailândia e Turquia, indicando uma oferta distribuída por diferentes mercados.

No turismo doméstico, Foz do Iguaçu, Gramado, João Pessoa e Bonito aparecem entre os destinos com potencial apontado pelas empresas. As operadoras também identificaram que há espaço para crescimento em diferentes formatos de viagem quando o assunto é a escolha do destino. Grupos, grandes eventos, turismo esportivo, resorts, produtos personalizados e experiências voltadas a nichos específicos estão entre as frentes mencionadas.

Shows, cruzeiros e viagens para destinos considerados mais exóticos, como a Antártica, além de experiências relacionadas à Aurora Boreal, também aparecem nas respostas. A busca por experiências diferentes em destinos já conhecidos é outro movimento identificado no levantamento. O viajante que já esteve em determinado lugar passa a procurar novas formas de vivenciá-lo, abrindo espaço para roteiros personalizados e produtos direcionados a interesses específicos.

“As operadoras estão indo além de reagir às mudanças e estão buscando antecipar movimentos. Isso aparece na diversificação de destinos, na criação de produtos de experiência, na aposta em grupos e eventos e na atenção a novos nichos. O segundo semestre combina, portanto, oportunidades concretas com a necessidade de acompanhar muito de perto o ambiente em que o turismo está inserido. A leitura dos cenários e a capacidade de antecipar movimentos são competências cada vez mais necessárias para as empresas do setor”, finaliza Marina Figueiredo.

1 comment

    Excelente materia! Boa informação pra ver que não estamos sozinhos!

Deixe um comentário

Leia também:

Shopping cart

0
image/svg+xml

No products in the cart.

Continue Shopping